Escavações Banais
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Lions for Lambs (2007)

Gostei bastante dos diálogos encontrados nesse filme. Esse, especificamente, porque se relaciona com alguns questionamentos levantados por mim nessa última semana sobre ciências humanas. Além disso, no decorrer do filme há coisas importantes sobre guerra, jornalismo, ambição e escolhas.

(O aluno universitário Todd tendo uma conversa com seu professor, Malley, explicando os motivos que o levaram a perder o interesse pelas aulas)

Todd - Ciência política. O que há de científico nisso, além da psicologia por trás da baboseira que os eleitores engolirão sem perceber? A parte da ciência só tem a ver com o que fazer para ganhar. Não ensina a governar nem melhorar a vida de ninguém, apenas a ganhar. Por mais burro, hipócrita ou criminoso que você pareça.

Malley - Dê-me um exemplo.

T - Como os atuais candidatos à presidência. Anunciam a candidatura dizendo claramente que não são candidatos a presidente. Entende? O que é isso?

M - Sempre foi assim.

T - Acho que não, porque… Certo. Você tinha o meu interesse quando estudamos os filósofos antigos. Os gregos. Mestre, você tinha o meu interesse. Eles foram incríveis. Mas em algum momento… você perdeu o meu interesse.

M - Você já foi à Grécia?

T - Não.

M - Não, senão saberia que o governo deles faz o nosso parecer uma visão do futuro.

T - Não é esse meu argumento? Se Sócrates, Platão, Aristóteles não conseguem corrigir, o que Todd Hayes fará?

M - Reclamar? Desistir?

T - Vou pagar meus impostos, obedecer aos sinais de trânsito…

M - Maravilha. Estava pensando em algo maior.

T - Maior como o quê? Como ser um congressista?

M - Bem, isso é maior.

T - É. Maravilha. Eu me tornar um daqueles bostas que fazem as nossas leis? Um mauricinho que reparte o cabelo como todos os outros? O cara que nunca diz nada, mas nunca pára de falar? Eu me tornar o cara que fala sobre moralidade enquanto um subordinado me masturba por debaixo da mesa? Ah, sim, por favor. O cara que embolsa um milhão e vocifera como um pregador quando é descoberto? E quantos nunca são descobertos? Se isso é maior que ser um cidadão honesto com um emprego honesto, esqueça. É, é aí que você perdeu o meu interesse.

M - (pausa) Você quase me convenceu. Quase me convenceu.

T - De quê?

M - De que você sabe realmente do que está falando. Você lida muito bem com as palavras. Mas elas soariam melhor se tivessem emoção. Se elas se baseassem em algum tipo de experiência, se você houvesse batido em portas, lambido envelopes, participado de um comício, se houvesse se exposto de alguma forma.

T - Lamber envelopes é se expor?

M - Muito mais do que apenas falar.